Sinceramente não dá de entender a postura do advogado João Martins em manter filiação no PV após sua filha, Anna Carolina Martins, ter deixado o PV para viabilizar sua candidatura a vereadora pelo PRB. Anna era o carro-chefe da nominata a vereador do PV. Sua desfiliação motivou outras desfiliações de peso e inviabilizou eleitoralmente as candidaturas que permaneceram no partido.
Por outro lado, a guerra sem tréguas que João Martins mantém com a Executiva Estadual do PV impõe ao Diretório Municipal condição pouco favorável para as eleições municipais do próximo ano. Desde o início considerei como factível e iminente uma intervenção de Florianópolis em Itajaí. A guerra entre dirigentes estaduais e dirigentes locais apresenta forças desproporcionais, com Florianópolis podendo impor à Itajaí penas severas que podem culminar, inclusive, com a não oficialização de candidaturas a vereador e confirmação de coligações nas eleições majoritária (prefeito) e proporcional (vereador).
Para fugir dessas sanções, Anna Carolina transferiu acertadamente sua filiação para o PRB. Acontece que a candidatura de Anna no PRB modifica por completo a posição de João Martins dentro do PV, uma vez que estará na condição de militante do PV trabalhando por uma candidatura fora do PV em 2012. A voz de João Martins dentro do PV perde legitimidade na mesma proporção em que ele se esforça para eleger sua filha no PRB.
Mas, João Martins pensa diferente. Entende que não deve entregar os pontos, resistindo até o final aos desmandos da Executiva Estadual do PV. Ele próprio o qualifica como teimoso. Quem acompanhou toda a história do PV de Itajaí não pode tirar as razões de João Martins. Realmente a direção estadual dos verdes errou muito na condução dos interesses do partido. Errou principalmente nas ações de estruturação e fortalecimento do partido nos municípios catarinense.
Uma guerra é sempre assim, as partes tem suas razões. Diria, contudo, que João Martins tem mais razões. A direção estadual errou de forma compulsiva. De qualquer forma a hegemonia partidária está nas mãos deles e lhe confere o poder de manter o PV no caminho errado. Resta aos descontentes sair ou abrir oposição interna. Anna Martins saiu. João Martins ficou na oposição interna. Parece que assim está tudo certo, mas não está. Não está porque João Martins terá de se apresentar como soldado no PRB para viabilizar a candidatura de Anna.
Então, fica uma situação esdrúxula, esquisita, porque há uma dupla militância que pode ser considerada tecnicamente como traição partidária. Haverá, de certa forma, a sombra da infidelidade em tudo o que João Martins promover nesse ano eleitoral. E tudo o que for feito levará o PV de Itajaí diretamente para o abismo administrativo. O PV de Itajaí torna-se inviável em todos os aspectos: administrativo e eleitoral.
Com esse cenário negativo a figura de um interventor indicado por Florianópolis dará ao PV de Itajaí o direito de sobreviver, como se estivesse no leito de morte ligado a aparelhos. Quer dizer: não há saída. O PV deixou de ser viável como partido político e tornou-se apenas uma sigla. O mais triste é perceber que tem muitos dirigentes do PV querendo justamente isso: que o partido seja apenas uma sigla.

